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Fiscal04 de novembro de 2025·14 min

Reforma Tributária 2026: o que muda no Protheus até 2033

Cronograma da transição IBS/CBS, impacto no SF1/SF2, ajustes em SPED e EFD, e o que precisa estar pronto até janeiro/2026 para emitir nota fiscal sob o novo regime. Estratégia de coexistência ICMS/PIS/COFINS × IBS/CBS sem reescrever ADVPL.

A Reforma Tributária aprovada pela EC 132/2023 e regulamentada pela LC 214/2025 não é mais um exercício teórico. A partir de janeiro de 2026 começam testes obrigatórios em produção. Em 2027 o IBS e a CBS passam a ser cobrados, ainda que com alíquotas reduzidas, e até 2033 ICMS, ISS, PIS e COFINS são extintos. Para quem opera Protheus, o trabalho de adaptação não cabe num único módulo. Toca SF1, SF2, SF3, FIN, FAT e parte do CTB.

Cronograma oficial

A LC 214/2025 estabelece três fases de transição. Entender cada uma é essencial pra planejar release no Protheus sem ter que reescrever a mesma feature duas vezes.

PeríodoO que aconteceImpacto no Protheus
Jan/2026Testes obrigatórios em produção com alíquotas zeroEmitir XML com novos campos de IBS/CBS já no ambiente real, mesmo sem cobrança
Jan/2027IBS 0,1% + CBS 0,9% começam a ser cobrados; PIS/COFINS extintosCálculo paralelo, escrituração dual nos blocos C e E do SPED
Jan/2029IBS sobe gradualmente, ICMS começa a cairCoexistência entre os dois regimes na mesma operação fiscal
Jan/2033ICMS e ISS totalmente extintos; IBS/CBS em alíquota plenaDesligamento dos cálculos antigos, simplificação do parametrizador

O que muda concretamente no Protheus

TOTVS já anunciou que o suporte oficial à reforma vem em sucessivas atualizações da release 12.1.2410 e seguintes. Mas há decisões que dependem do parametrizador fiscal do cliente, não do produto. Listamos abaixo os pontos críticos que vimos em projetos de migração HSB:

  • Novo cadastro de produto: classificação cClass (Cadastro Comum de Classificação) substitui parcialmente NCM/CEST. Implementação no SB1 com campos B1_CCLASS e B1_CRED.
  • Apuração paralela: até 2033, cada operação gera DUAS escriturações — uma no regime antigo (PIS/COFINS/ICMS) e outra no novo (IBS/CBS). O SF3 precisa de novos índices.
  • Novo modelo de crédito amplo: IBS/CBS permite crédito sobre praticamente todas as aquisições, incluindo bens de uso e consumo. SF2 do tipo entrada precisa rastrear destinação.
  • Tributação no destino: ICMS era origem, IBS/CBS é destino. Customizações que assumem UF de saída precisam ser revistas — em alguns casos, milhares de linhas de cálculo customizado.
  • Split payment: a CBS pode ser recolhida automaticamente no recebimento via PIX/cartão. Impacta integração com gateway e bancos.

Estratégia de coexistência sem reescrever tudo

A pior estratégia é tratar a reforma como um projeto monolítico de 2026. A janela é longa (7 anos), as regras finais ainda têm parágrafos pendentes de IN da Receita, e o cálculo antigo precisa continuar funcionando até 2033. Recomendamos:

  1. 01Criar um módulo paralelo de cálculo IBS/CBS, isolado em pontos de entrada (não reescrever MaFisLeg).
  2. 02Versionar parametrizador por vigência — F4_TRIBUTACAO ganha campos de período pra rotear ICMS antes de 2033 e IBS/CBS depois.
  3. 03Manter dois SPEDs gerados em paralelo durante 2027-2032. Storage barato, dor de auditoria infinitamente menor.
  4. 04Investir em testes regressivos automatizados de cálculo fiscal AGORA. Sem isso, cada release da TOTVS vai virar incidente de produção.

O custo de chegar atrasado

Em janeiro de 2026, o ambiente nacional da Receita Federal vai começar a recusar XMLs que não tragam os campos novos, mesmo com alíquota zero. Em janeiro de 2027, recusa o documento se o cálculo paralelo não estiver presente. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: empresa para de faturar.

Vimos em outros marcos fiscais — SPED, NF-e 4.0, EFD-Reinf — que empresas que começam com 90 dias de antecedência têm 5x mais incidentes que empresas que começam com 12 meses. A janela razoável para a transição da Reforma começa agora.

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